História

O Instituto Vita Alere de Prevenção e Posvenção do Suicídio começou a ser sonhado há muitos anos atrás, na escuridão da Suécia, enquanto Karen realizava o mestrado. Voltar para o Brasil e oferecer um local de apoio, tratamento, discussão, produção literária e cursos na área de prevenção e posvenção do suicídio era um sonho que não poderia ser concretizado solitariamente, porque não existiria a possibilidade da semente ser transformada em realidade.

Dentre as pessoas conhecidas, Karina, que havia se formado junto com Karen no Instituto Sedes Sapientiae e participado do I Curso de Prevenção e Posvenção do Suicídio, ministrado pela Karen no IGSP em 2012 e que trabalhava com o suicídio segundo o aporte da Gestalt-terapia, foi lembrada.

Karen e Karina se encontraram para um café, e Karina disse que tinha um projeto cujo objetivo estava direcionado ao atendimento a familiares sobreviventes e que, talvez, pudessem pensar em um grupo de terapia ao luto por suicídio.

Durante o I Curso de Prevenção e Posvenção do Suicídio, o primeiro a trazer o termo Posvenção para o Brasil, realizado no Instituto Gestalt de São Paulo e sob a coordenação e docência de Karen, em 2012, Karen e Karina começaram a sonhar juntas. Foi no dia 11 de outubro de 2012, que a parceria entre as duas foi firmada para que um instituto sobre prevenção e posvenção do suicídio fosse criado. Por indicação de Karina, o psiquiatra doutor Teng, experiente na lida com o suicídio, surgiu como a pessoa que poderia agregar ao time de uma equipe interdisciplinar. O trio foi formado: duas psicólogas e um psiquiatra com interesses acadêmicos e científicos uniram-se para que pudessem oferecer um espaço pioneiro no Brasil na lida do suicídio. Idealistas, ocupados, mas sobretudo esperançosos, iniciaram os encontros para que o espaço pudesse tomar forma.

Os primeiros encontros traziam uma preocupação comum: algo precisava ser feito, com urgência, para que os números pela morte por suicídio não aumentassem. Todos já haviam acompanhado inúmeras histórias de sofrimento e dor, e queriam proporcionar às pessoas um local de encontro que pudesse ser facilitador para que a dor fosse acolhida e cuidada.

Para representar esse trabalho, o nome Instituto Vita Alere de Prevenção e Posvenção do Suicídio foi escolhido. Vita, do latim, significa vida e Alere, também do latim, significa cuidar, dar suporte, nutrir.

Cuidar da, nutrir e dar suporte à vida e à singularidade daqueles que nos procuram.

Dessa maneira, o objetivo do Instituto Vita Alere de Prevenção e Posvenção do Suicídio foi direcionado em prol da diminuição dos números alarmantes do suicídio, para acolher os sobreviventes e habilitar profissionais para o manejo da temática árdua e intrigante do suicídio.

O Instituto Vita Alere inaugurou no dia 31/08/13. Veja como foi!

 

Discurso da Inauguração – Autoria: Karen Scavacini

“Hoje iniciamos uma jornada, um caminho que teve inicio a partir da união de sonhos, da vontade, da necessidade de fazer algo, de fazer diferença.

Esse sonho começou a ser sonhado há anos na escura e fria Suécia e encontrou ressonância e força no Brasil, abrasileirou, onde se encontrou com outros sonhos e se somou a idéias e ideais.

Então junto com a Karina e o Teng, tomou a forma que tem hoje.

Foi quando pudemos cada um de nós 3 ,com seu estilo, experiência, crenças e conhecimento dar forma ao nosso sonho conjunto e torná-lo possível, integrá-lo e evoluí-lo.

Vocês vão receber um folder que contem nossa missão, visão e valores, então não vou repeti-los aqui.

Vou falar um pouco da nossa motivação, do que nos trouxe até aqui e do que gostaríamos de oferecer. Do nosso sonho.

E é com imensa satisfação que compartilhamos ele com vocês hoje.

Sabíamos que queríamos trabalhar com a prevenção, a intervenção, e com a posvenção do suicídio.

Mas, mas que isso, queríamos um local para honrar histórias, preservar memórias, dar espaço para o sofrimento, navegar infernos e atravessá-los, para então ir alem da dor.

Para não julgar, e sim acolher. Para dar voz aos que querem se calar.

Para estar presente.

Respeitando caminhos, trajetos e velocidades. Seja ele de quem for, cliente, sobrevivente, profissional, aluno, parceiro.

Para receber pessoas inteiras, com todas as partes que lhe cabem, com suas histórias, sejam elas inconsoláveis ou não

Um local onde a vida e a morte pudesse ser questionada, onde poderíamos acompanhar, testemunhar indivíduos, testemunhar histórias, escolhas, e quem sabe poder ajudar a refletir sobre novas formas de existência.

Para que a vida não precise terminar com o suicídio.

E para que a vida possa recomeçar apos o suicídio de alguém amado.

E para que as pessoas aprendam o que fazer diante de um comportamento suicida.

Um espaço onde pudéssemos falar abertamente sobre o assunto e também com aqueles que querem se matar, aqueles que estão sofrendo por alguém que se matou e até com aqueles que não querem falar sobre esse assunto, e infelizmente vemos que muitos psicólogos se encaixam nessa parte.

Mas também vemos que muitos outros psicólogos, psiquiatras, trabalhadores da área da saúde e leigos, procuram se aperfeiçoar, conhecer, aprender sobre a dura e intrigante lida do suicídio. E esperamos poder oferecer para eles um espaço para isso.

Um local, onde pudéssemos instrumentalizar profissionais e mais que isso, cativá-los e cultivá-los, para que de pequenas sementes, nasçam flores, frutos e árvores que possam se sustentar, ter raiz, um boa sombra e que possam espalhar novas sementes.

Para estimular projetos. Promover educação.

Poder ensinar e aprender. Debater, conversar, encontrar. Quebrar tabus.

Falar abertamente sobre perder alguém, sobre querer se perder e para quem sabe, poder se encontrar.

Ajudar empresas, escolas, famílias, profissionais…. pessoas.

E com muito trabalho e humildade, tentar construir pontes em abismos.

Onde pudéssemos fazer pesquisa, gerar ciência, inovar e pudéssemos fazer as idéias e a ciência saírem do papel, aliando a teoria, a técnica, a ética, a sabedoria e a humanidade e poder para ir além do papel.

Para estabelecer parcerias, alianças, dividir conhecimento e somar saberes, aonde for preciso.

Fluindo, e em movimento, expandir e chegar a novos lugares, mesmo navegando por vezes em mares bem agitados.

Unir pessoas com um mesmo ideal, promover encontros, ampliar a rede de cuidados.

Tecer possibilidades, costurar soluções, alinhavar caminhos.

Trazer conforto e esperança.

Dar nome e rosto à diagnósticos, números e taxas.

Sabemos que não podemos prevenir todos os suicídios, isso seria onipotência de nossa parte.

Porém mais do que simplesmente oferecer serviços e cursos, queremos ser um espaço, um local, um lugar para refletir que a morte pode não ser a única saída para o sofrimento humano, para acolher o luto e o sofrimento e para abrir caminhos e gerar conhecimento.

Isso através de atendimentos, supervisão, grupo terapêutico de luto, grupo de apoio a sobreviventes, estágios, cursos (Inclusive teremos 2 cursos, no fim de setembro e início de outubro. As informações estão nos folders), treinamentos, consultoria, pesquisa, parcerias e ações de responsabilidade social.

O nome Vita Alere quis expressar esse sonho. Alere significa cuidar da, nutrir e dar suporte a e Vita significa vida e a singularidade daqueles que nos procuram.

Confesso que o nome inicial era outro, IPPS, mas percebíamos que estava faltando alguma coisa, falaram até que estava parecido com o nome de um imposto, e então achamos melhor mudar, ele não conseguia demonstrar o que queríamos, assim pudemos repensá-lo e através do nosso nome tentamos transmitir um pouco mais da nossa essência, da nossa alma.

O logo foi uma conseqüência desse nome, queríamos algo que demonstrasse cuidado, acolhimento e atenção e que ao mesmo tempo deixasse a pessoa livre para crescer, expandir e voar… e se ela precisasse, o local de pouso continuaria ali a sua espera. Carinhoso, atencioso, preocupado e firme.

E é por isso que estamos aqui hoje, porque acreditamos que algo pode e deve ser feito, com responsabilidade, ética, valores, humanidade e por que não, uma boa dose de coragem e muito suor aliados a humildade, para ousarmos, porém sabermos até onde podemos ir, onde não podemos ir e que ainda temos muito o que aprender.

Sabemos que temos grande desafios e esperamos atravessá-los com qualidade e muita dedicação. Muito trabalho ainda precisa ser feito.

Hoje é só o início.

Contamos também com a ajuda de vocês para que juntos possamos transformar, recriar, repensar e dar vida a esse Instituto. Afinal prevenção e a posvençao do suicídio é uma tarefa para muitas mãos.

E então, é com muita emoção que vemos nosso sonho começar a se transformar em realidade e a partir desse momento eu, juntamente com a Karina e o Teng, declaramos aberto o Instituto Vita Alere de Prevenção e Posvenção do Suicídio.

Muito obrigada pela presença, hoje a festa é de todos nós .

Boa noite.”

Como caminhos mudam de direção conforme vão sendo percorridos, desde agosto de 2014, por priorizar outro caminho, Karina Okajima Fukumitsu e Teng Chei Tung deixam a sociedade do Instituto, ficando somente como parceiros, mas sem responsabilidade jurídica.

A presença deles foi fundamental para a fundação do Instituto, e é com muita gratidão que eles sempre estarão presentes em nossa história.