Category Archives: Ultimas notícias

Dar novo significado à vida é o caminho de volta para quem tenta o suicídio

tentativa de suicídio
O desespero e a incapacidade de encontrar uma saída para o sofrimento são os sentimentos que tomam conta de quem decide acabar com a própria vida. “Estavam acontecendo muitas coisas ao mesmo tempo, sentia uma sobrecarga e a dor era tão grande que achei que a solução seria morrer”, relata Cássio Guedes, 29, médico, que tomou um coquetel de medicamentos com três vezes a dose letal, em 2012.
 
Enquanto esperava a morte chegar, deitado em um pasto no campus da faculdade de medicina onde cursava os últimos anos, Guedes pensou na irmã, no sobrinho e resolveu ligar para uma amiga pedindo ajuda.
 
Além de se salvar da morte, anos depois, o médico percebe que conseguiu se afastar do comportamento autodestrutivo e dar novo significado à vida. “Eu me sabotava, me colocava em situações de vulnerabilidade, eram tentativas erradas de gritar por socorro. Estava vazio de mim”, fala.
 
Na época em que só pensava na morte como meio de aliviar sua dor, Cássio Guedes estava sofrendo por causa da pressão da faculdade de medicina, do afastamento da família, após assumir sua homossexualidade, e também em razão do término de um relacionamento.
 
Depois de um ano sabático em tratamento, outros problemas apareceram, o médico teve de lidar com a morte da mãe e a volta para a faculdade, porém aprendeu a enfrentá-los de uma nova maneira. “Hoje me sinto forte para encarar as situações de dor, tenho fontes de apoio, faço terapia, academia, me cerquei de bons amigos e aprendi a investir no que me dá forças”, diz.
 
Além disso, o médico também conta que buscou “fontes de vida” e adotou três cachorros e um gato, que o ajudaram muito no início do tratamento. “A melhor parte do dia era voltar da faculdade para cuidar deles, pensar que eles dependiam de mim”, diz.
 

Comportamento Quem vai se matar não avisa? Isso é mito! Veja como prevenir suicídios

prevenção ao suicídio sinais
A seguir, com a ajuda de Karen Scavacini, psicoterapeuta e autora do livro “E Agora? Um Livro para Crianças Lidando com o Luto por Suicídio” (AllPrint Editora), e Eliane Soares, voluntária do CVV (Centro de Valorização da Vida) há 18 anos, listamos dicas práticas de como você pode ajudar a prevenir essas mortes.
 
Leve ameaças a sério
 
Um dos grandes mitos sobre o suicídio está em pensar que quem vai se matar não dá sinais. Se alguém chega ao ponto de dizer algo do gênero, é porque tem algo errado. Portanto, diante de uma ameaça, coloque-se à disposição para ajudar essa pessoa.
 
Cuide de quem está de luto
 
Existem grupos –presenciais e online– de apoio para ajudar pessoas que viveram o suicídio de uma pessoa amada. Para cada pessoa que se mata, cerca de dez são afetadas diretamente, segundo Karen. Por isso, é preciso cuidar de quem fica. A culpa é um sentimento frequente entre filhos, pais, parceiros e outros que conviviam com o suicida por acharem que poderiam ter evitado a morte. Entretanto, ninguém é culpado.
 
Não guarde segredos
 
Principalmente entre os adolescentes, é comum que a pessoa que pensa em tirar a própria vida desabafe e peça segredo. Para ajudar a prevenir, o indicado é não se calar diante de uma ameaça de suicídio. É preciso entender que, ao dividir o assunto com um adulto de confiança, por exemplo, você não estará expondo a pessoa, mas ajudando-a a sair da melhor forma da situação. No caso de adultos que receberem uma notícia como essa, o ideal é procurar um familiar que possa ajudar de maneira efetiva a encontrar um caminho.
 
Seja um bom ouvinte
 
Quando o assunto é suicídio e você se coloca à disposição para ajudar, o ponto principal é ouvir sem criticar e julgar. Eliane diz que quando o “suicida” tem a oportunidade de desabafar e sinalizar o sofrimento, a probabilidade de “cometer” o ato diminui. Deixe a pessoa falar o que sente.
 
 
Ajude a diminuir o tabu
 
A falta de conhecimento sobre o assunto é uma das chaves para a prevenção do suicídio não funcionar. Quando falamos sobre o suicídio, não estamos incentivando a prática, mas clareando os caminhos para preveni-lo. Diante de uma mudança brusca de comportamento, preste atenção no próximo e coloque as dicas anteriores em ação.
 
 
 

ELES PRECISAM CHORAR: suicídio entre os homens e a repressão dos sentimentos

homens suicídio emoções
Na maioria das vezes, eles escondem seus problemas e frustrações, não pedem ajuda, não demonstram que também sentem dor e não querem aceitar o fracasso. Esse é o cenário que pode levar à depressão e ao suicídio os homens, que estão entre as principais vítimas nesses casos. De modo geral, um levantamento feito pela Organização Mundial da Saúde (OMS) mostra que, no ano de 2016, um suicídio acontecia a cada 40 segundos. Em 2015, o mesmo órgão divulgou que foram registrados 800 mil casos de suicídios no mundo, sendo que 75% destes são referentes a países de média e baixa rendas.
 
O cenário no Brasil também é alarmante, pois o país ocupa o 8° lugar no ranking de países com mais casos de suicídios no mundo, chegando a ultrapassar 12 mil por ano. Seguindo os índices de outros países, no Brasil, os homens são os que mais se matam numa faixa etária entre 15 e 29 anos. Enquanto o índice das mulheres é de 2,6 por 100 mil pessoas, o dos homens salta para os 10,7.
 
Segundo o Sistema de Informações de Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde, em 2013, o Maranhão ocupa a 23° posição no ranking brasileiro de suicídio com um índice de 3,5 mortes por 100 mil habitantes. Em Imperatriz, segundo a enfermeira coordenadora das Doenças de Agravo Não Transmissíveis (DANT’S – DVS), Hélcia Gonçalves, no mês de abril deste ano foram notificados em torno de 28 suicídios, ou seja, quase um por dia.
 
O QUE É O SUICÍDIO?
 
Do ponto de vista sociológico, é uma ação tomada deliberadamente pelo indivíduo com a consciência de que essa ação irá produzir o resultado pretendido. Além disso, a ideia de consciência torna-se imprecisa, pois uma pessoa com problemas mentais que se coloca em uma situação de risco, dependendo das circunstâncias, pode não ser considerada suicida. Ademais, pessoas que são forçadas a cometer o ato, a ação perde o caráter de suicídio e passa a ser tratado como homicídio.
 
Para a cientista social Emilene Leite de Sousa, a sociedade tem um papel fundamental no suicídio. “Nós estamos em sociedade, organizados a partir de teias de relações sociais recíprocas. Essas teias invisíveis estão por toda parte, são laços sociais. A razão do suicídio é se há um exagero ao apertar ou afrouxar esses laços, deve existir um equilíbrio”, afirma. Além disso, também aponta as instituições sociais tal como a igreja, escola e a família como as responsáveis em acolher os indivíduos em situações de desespero, tristeza e principalmente de exclusão, uma vez que tudo que fazemos é tentar nos integrar socialmente. “Se o indivíduo se integra demais, ele tende a cometer suicídio, se ele é excluído, ele tende a cometer suicídio”, conclui.
 
Tristeza, perda de interesse em atividades anteriormente prazerosas e sensação de incapacidade são alguns dos sinais de uma pessoa inserida em um quadro depressivo. A assistente social do Serviço Ambulatorial da Rede da Saúde Mental (Caps), Ana Cristina de Assunção Oliveira, analisa que a depressão é o resultado de decepções pessoais, questões de problemas financeiras, traumas ou transtornos mentais tratados indevidamente.
 
O tratamento incorreto é mais frequente nos homens, visto que são os que menos procuram ajuda, além disso, são os que mais cometem suicídio de maneira mais violenta. Esse resultado tem relação com a “honra masculina”, como frisa a psicóloga do Caps, Dayse da Silva Chaves. Ter problemas de saúde mental ou falhar na tentativa de suicídio ratifica a sensação de incapacidade que eles sentem diante dos estereótipos existentes de virilidade É importante destacar que todos os possíveis suicidas dão sinais e alertas sobre o desejo de ceifar sua vida.
 
POR QUE OS HOMENS NÃO CHORAM?
 
“O homem morreu das palavras que não disse”, frisa a assistente social do Caps III, Ana Cristina de Assunção Oliveira ao comentar que o estereótipo de que o homem não chora é resultado da sociedade patriarcal. Nesse contexto, os homens não podem expor sentimentos, como analisa líder da Articulação Feminista de Imperatriz (AFIM), Conceição Amorim. “Há uma pressão muito grande dentro dessa sociedade, a qual diz que é responsabilidade do homem cuidar da família. Essas pressões acabam sendo mais violentas, eles terminam não suportando. Apesar de toda a construção de que eles são fortes, eles acabam sendo fracos”, reflete.
 
Por conta dessa cultura machista que ainda persiste, por vezes, eles não são educados para pedir ajuda e sim para resolver todos os problemas sozinhos. Para desestruturar essa ideologia machista, que também diretamente os homens, entra em cena o feminismo, que visa desconstruir esses estereótipos que foram naturalizados e acaba os silenciando. O movimento defende que os homens têm o direito de chorar sem serem recriminados, segundo Conceição Amorim.
 
 

Precisamos falar sobre suicídio de crianças e adolescentes

prevenção suicídio crianças
O assunto é delicado, mas realmente precisamos falar dele. Dados do Mapa da Violência, organizado pelo Ministério da Saúde, mostram que, de 2002 a 2012, o número de suicídios entre crianças e adolescentes de 10 a 14 anos aumentou 40%. Segundo especialistas, antes mesmo desta faixa etária, a partir dos 8 anos, a pessoa já entende suas emoções, compreende a morte e pode tentar o suicídio. “Isso não significa que crianças mais novas não podem apresentar comportamento suicida. Cada sujeito é único e merece uma avaliação própria”, informa Orli Carvalho, psiquiatra da infância e adolescência do Instituto Nacional da Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (FIOCRUZ), no Rio de Janeiro.
 
Mapear esta tragédia durante a infância não é uma tarefa fácil, pois os próprios pais sentem dificuldade em acreditar que a criança atentou contra a própria vida. “Muitos dizem que foi acidente, porque sentem vergonha ou não aceitam a tragédia”, informa Tania Paris, presidente da Associação pela Saúde Emocional de Crianças (SP). Para ela, este aumento expressivo de casos na infância se deve a uma série de fatores, inclusive, a modernidade. “Hoje, as crianças estão sobrecarregadas de atividades e informação. São cobradas demais para serem bem-sucedidas e esperamos muito delas. Quando não correspondem às nossas expectativas e as delas, sentem-se fracassadas e deprimidas. O problema se agrava dia a dia até beirar o insuportável. O sofrimento fica tão intenso que a vida perde o sentido”, explica Tania.
 
Transtornos mentais são gatilho do suicídio
Mas é claro que não é só isso. O suicídio é um fenômeno de causa múltipla e está totalmente ligado às doenças mentais. “Cerca de 90% dos casos tem associação com transtornos psiquiátricos. Depressão e transtorno bipolar do humor são os quadros mais associados às tentativas de suicídio. Nesse público, a impulsividade e o acesso aos meios favorecem o comportamento suicida”, observa Orli.
 
Ele também pode ser desencadeado devido à dificuldade que as crianças têm em lidarem com algumas situações. “Crianças que sofrem bullying, que perderam uma pessoa querida, que têm problemas de serem aceitas pelos grupos sociais, que sentem rejeição por parte dos pais ou amigos, que têm dificuldades no aprendizado escolar e até que os pais se separaram, podem sofrer consequências emocionais graves”, fala Tania.
 
Por isso, é importante observar o comportamento delas. Se os pais perceberem que o filho está diferente, devem buscar ajuda médica. “Os pediatras são atores importantes na identificação de comportamentos suspeitos, tais como tristeza acentuada, irritabilidade, agressividade, flutuações de humor, queda do rendimento escolar, alterações de sono e/ou apetite. Quando eles notam que há algo fora do normal, encaminham para psiquiatras e psicólogos para uma avaliação mais criteriosa e identificação do sofrimento psíquico da criança e do adolescente. Vale lembrar que cada pessoa apresenta características próprias e deve ser avaliada individualmente”, diz Orli.
 
Mas, calma, não precisa se desesperar, pois ninguém desiste da vida de um dia para o outro. Segundo Tania, existem três fases no processo de suicídio. A primeira é a ideação, quando a pessoa começa a pensar na ideia de colocar um fim no sofrimento. A segunda é o planejamento, que é quando ela realmente vai pensar em como pode fazer aquilo (pular de um lugar alto, por exemplo) e, a terceira, é a idealização, o ato propriamente dito.
 
Durante estas etapas, a pessoa geralmente diz ou deixa pistas. A criança pode falar que quer morrer, que não quer sair mais da cama, que deseja não acordar mais ou expressar este sentimento por meio de um desenho. “É por isso que precisamos acabar com o mito de que uma alguém que fala que vai se matar não se mata. Isso já é um pedido de socorro. Se os pais ou a pessoa a quem ela fez o pedido não percebem e não tentam ajudá-la, o pior acontece”, diz.
 
Prevenção é fundamental
Como 9 a cada 10 casos de suicídio (ou seja, 90%), segundo a Organização Mundial de Saúde, poderiam ser evitados, é importante prevenir. Mas, como? Primeiro é preciso acabar com o tabu que ainda envolve o tema. As pessoas têm dificuldade em falar sobre isso e a informação não circula, não chegando a quem precisa. Para aumentar este alerta, foi criado o Setembro Amarelo, movimento mundial que tem como objetivo conscientizar a população sobre a realidade do suicídio. O movimento é estimulado mundialmente pela Associação Internacional pela Prevenção do Suicídio. Depois, é necessário o acolhimento, entender o sofrimento da criança, observando seu estado emocional e tentar ajudá-la. “Os pais devem perguntar, por exemplo, por que o filho está triste e o que eles podem fazer para ele se sentir melhor”, fala Tania. Se perceberem que as mudanças no comportamento persistem, o ideal é levar a criança a um especialista. “Dependendo do que for, se houver uma doença, pode ser necessário um tratamento medicamentoso ou uma internação”, finaliza Tania.
 

Direitos das crianças em luto

luto crianças direitos
É dever dos pais e cuidadores de crianças em luto zelar para que elas recebam acompanhamento e ajuda necessária para um desenvolvimento intelectual, físico emocional e social adequado. E garantir a elas, após o falecimento de um ente querido, os direitos que listamos aqui
 
Nesta semana da criança transcrevemos abaixo um manifesto sobre os direitos das crianças em luto.
 
 
Tenho direito a:
 
– Receber a notícia. Preciso saber a verdade sobre o que aconteceu, o mais breve possível, e em uma linguagem clara, sensível e fácil de entender.
 
– Participar dos rituais fúnebres. Quero ser consultado sobre a possibilidade de participar do velório, enterro ou cremação, e sobre a possibilidade de ver meu ente querido e me despedir dele se assim eu quiser.
 
– Expressar de maneira livre e espontânea os meus sentimentos. Posso sentir raiva, tristeza, culpa, medo, solidão, e ás vezes, não sentir nada. Que me permitam chorar e dizer o que sinto sem ser julgado ou criticado.
 
– Receber ajuda dos adultos para sobreviver à minha dor. Que prestem atenção ao que sinto, ao que digo, ao meu comportamento, especialmente meus professores e os adultos que me querem.
 
– Recordar e falar frequentemente sobre a pessoa que se foi. Ser escutado e tolerado quando quero falar sobre a pessoa que perdi.
 
– Receber proteção incondicional e a dedicação dos adultos. Que sempre haja um adulto disposto a me acompanhar em meu processo de luto, que se preocupe com a minha saúde física e emocional, com a minha alimentação, minha educação e minha recreação.
 
– Manter minhas rotinas. Em função das mudanças que acontecem em todo processo de luto é importante continuar com as minhas atividades e horários para que eu possa ter mais estabilidade e segurança.
 
– Conservar limites e normas. Meu luto não justifica superproteção ou tolerância com o rompimento de regras.
 
– Receber apoio da minha família e da minha escola. Que haja uma boa comunicação entre eles, que se informem sobre o luto das crianças, que tenham preocupação genuína, disposição para me ajudar, sentimentos amigáveis, honestidade e respeito.
 
– Estar acompanhado de um adulto que se ocupe do seu próprio luto. Por trás de uma criança em luto geralmente há um adulto em luto. Tenho direito que ele se ocupe de sua própria elaboração para que não dificulte a minha.
 
– Receber ajuda de pessoas capacitadas para cuidados de crianças em processo de luto. Se for necessária atenção profissional que me seja permitido ter acesso a ela.
 

O QUE POSSO FAZER PARA AJUDAR QUEM PENSA EM SUICÍDIO?

empatia suicídio
Pode ser que, em algum momento de nossas vidas, desconfiemos de que alguém próximo está pensando em suicidar-se em decorrência de um grande sofrimento. Diante dessa situação, o sentimento de impotência pode se fazer presente, fazendo-nos acreditar que não há como intervir, uma vez que a pessoa parece já ter decidido encerrar a própria vida. Entretanto, ao contrário do que o senso comum tende a reproduzir, existem diversas maneiras de auxiliar essa pessoa.
 
Se há uma desconfiança, é importante que se converse diretamente com a pessoa que está sofrendo. Um diálogo aberto, respeitoso, empático e compreensivo pode fazer a diferença. Procurar saber como a pessoa está, o que tem feito ultimamente, como está se sentindo. O foco da conversa deve ser o outro, portanto, não é recomendável: falar muito sobre si mesmo, oferecer soluções simples para os problemas que a pessoa relatar e desmerecer o que ela sente.
 
Essa conversa pode obter melhores resultados se for feita em um lugar tranquilo, sem pressa, respeitando o tempo da pessoa para se abrir. Caso a pessoa se sinta à vontade para compartilhar o seu sofrimento, não é indicado: rechaçar (“Credo, isso é pecado!”), esboçar expressões de choque (“Não acredito que você tá pensando nisso!”) e reprimir, caso o choro venha (“Pra que chorar? Você sempre teve tudo do bom e do melhor!”).
 
A escuta ativa deve sempre estar presente nesses diálogos. Uma escuta ativa consiste em realmente ouvir e compreender o que o outro diz, não apenas esperar uma pausa para poder respondê-lo. Isso não significa, no entanto, deixar a pessoa falando sozinha. Algumas pontuações que podem ser feitas consistem em: fazer perguntas abertas; fazer um breve resumo do que a pessoa falou, de tempos em tempos, para que ela saiba que você está atento ao que ela diz; retornar a algum ponto que não tenha ficado claro e tentar, ao máximo, escutá-la sem julgamentos.
 
Oferecer suporte emocional e informar sobre a ajuda profissional, bem como se mostrar à disposição, caso ela queira conversar novamente, são pontos importantes. Se a pessoa falar claramente sobre os seus planos de se matar e parece estar decidida quanto a isso, é primordial que ela não seja deixada sozinha. Podem ser contatados os serviços de saúde mental e familiares/amigos da pessoa. Pode ser necessário que ela fique em um ambiente seguro, sendo auxiliada por um profissional.
 
Se você perceber que a pessoa não se sente à vontade para se abrir, deixe claro que você estará disponível para conversar em outras oportunidades. Você também pode indicar os serviços oferecidos pelo CVV, disponível em www.cvv.org.br, que trabalha para promover o bem estar das pessoas e prevenir o suicídio, em total sigilo, 24h por dia.
 
Lorena
CVV Vitória/ES
 

POR QUE FALAR É A MELHOR SOLUÇÃO?

falar-é-o-melhor-cvv
A campanha do CVV – Centro de Valorização da Vida para o Setembro Amarelo, mês da prevenção do suicídio, é “Falar é a melhor solução”. E porque seria? A primeira razão é a quebra de tabus e o enfrentamento do problema. O suicídio é uma questão de saúde pública, que leva 32 brasileiros por dia, mais do que o HIV ou muitos tipos de câncer, por exemplo. Assim, se o suicídio é prevenível em 90% dos casos, como aponta a Organização Mundial da Saúde, é preciso saber como preveni-lo e isso só se sabe com informação e conhecimento. Por isso, é preciso falar.
 
A sociedade em geral precisa reconhecer sinais, diferenciar mitos e verdades, ouvir profissionais e ter acesso a formas de apoio, como o próprio CVV. Falar também é a melhor solução quando enxergamos pelos olhos de quem pensa em suicídio. Em comum, essas pessoas sofrem uma grande dor e não veem saída para ela, chegando a pensar no suicídio como uma forma de “matá-la”. Em geral, quem pensa em suicídio não quer necessariamente morrer, mas fazer aquela dor sair, mas não sabe como.
 
A dor, portanto, precisa ter fim, de alguma forma. Assim como os outros sentimentos, como alegria, orgulho, amor, a dor precisa ser expressa, senão sufoca. Por isso, o CVV se coloca à disposição para todos que queiram falar sobre o que estão sentindo, para possibilitar que a dor saia por meio de palavras, e não por atos de agressão contra si e contra os outros.
 
Se você precisa falar sobre algo, acesse www.cvv.org.br e veja as formas de atendimento disponíveis.
 
Luiza
CVV Belém
 

Fique!

fique - suicídio
Quando me sentei no confortável sofá de padrões azuis no consultório de minha terapeuta, aninhada no meio das almofadas suaves de pelúcia brancas, girava meu suporte de rabo de cavalo ao redor do meu pulso repetidamente, quando ela me perguntou:
 
“Para onde você se transportou agora?”
“Lugar algum. Eu simplesmente me distraí.” Respondi, enquanto olhava para o sol, cujos raios dançavam pelo peitoril da janela.
 
Mas isso estava longe de ser verdade. Eu estava pensando sobre a vida e a morte, o significado da minha existência, meu nível de desesperança e como eu queria muito acabar com a dor e, finalmente, acabar de vez com a minha vida.
 
Eu tenho pensado muito nisso ultimamente. Então, hoje, quando minha terapeuta me deu a tarefa de escrever cartas para mim; cartas que eu possa ler durante os períodos difíceis ou sem esperança, pensei: que melhor carta para escrever do que um lembrete para ficar por aqui.
 
Aqui está – minha carta de lembrete para me manter viva e ficar por aqui:
 
“Para mim, quando eu precisar lembrar.
Eu sei que as coisas não têm sido fáceis ultimamente e a dor que geralmente sinto é demais para suportar. A morte parece ser uma opção muito mais aceitável do que esperar que as coisas melhorem ou se tornem mais fáceis. Você vive dizendo a si mesma que está cansada, que é uma doente crônica, uma fracassada e que não tem solução – mensagens que você realmente acredita definirem o núcleo do seu ser. Você realmente não consegue enxergar além da escuridão que circunda o seu dia a dia. A luz cobiçada no final do túnel? Não é mais do que uma miragem fugidia que você sempre está perseguindo sem nunca conseguir alcançar.
Você está cansada de lutar em uma batalha implacável com doenças mentais. Qualquer pessoa entenderia porque você está exausta. Faz sentido – assim como querer por um fim definitivo à dor também faz sentido. A depressão tem uma maneira de encolher seu mundo para uma única sala solitária. Ela faz o mundo se resumir aos pensamentos negativos, aos sentimentos desesperadores e ao desejo de morte que dominam dentro das quatro paredes do seu quarto, te impossibilitando de sair da cama.
O que você não percebe é que existe um mundo além dessas cortinas densas de pensamentos, sentimentos e desejos obsessivos e escuros. Um mundão lá fora grande e brilhante e que está à espera de ser descoberto. Embora pareça aterrorizante nesse momento pensar em abraçar o ruído, o caos e a luz – eu prometo que nem sempre se sentirá tão esmagada. Você só tem que segurar a onda e ficar o tempo suficiente para ver isso por si mesma as coisas na tua vida se transformando. Por isso:
Fique!
Fique quando sentir vontade de entrar no quarto. Fique quando tudo em você estiver gritando por alívio. Fique o suficiente para ver as faíscas inflamarem-se em chamas e a esperança arder em você mais uma vez. Fique mais um dia. Fique para ver uma outra pessoa sorrir. Talvez um dia seja você quem vai sorrir também. Fique para assistir a outro pôr-do-sol e respire fundo enquanto contempla os tons de algodão doce que cobrem a vastidão do céu. Fique por algum tempo, até ter a chance de ouvir sua voz falar mais alto. Você ainda tem muito a dizer e a fazer e pode ser uma força poderosa se você se permitir ficar. Fique para que possa experimentar mais uma xícara de café. Pelo menos saberá que alguma coisa te provoca sensações gostosas. Fique para que possa fazer mais uma viagem e tirar fotos que ficarão guardadas para sempre na forma de memórias. Fique mesmo sabendo que vai chorar mais uma vez. Lembre-se de que você é humana, e ser humano é uma coisa bagunçada e dolorosa, mas também, ocasionalmente, linda. Fique para que você possa segurar a mão de alguém. Fique para ver as mudanças acontecendo ao seu redor. Fique para sentir seu coração ficar pleno e você se sentir cheia de viva, mesmo tendo certeza de que esses sentimentos não durarão. Fique para ter essas experiências. Peço-lhe que fique, por favor. O mundo precisa, sim, de você, mesmo que não acredite no momento. Você é digna e amada e merece ocupar o seu espaço na vida.
Então, fique um pouco mais nesse mundo.
Conquiste o seu espaço.
Faça ouvirem sua voz.
Experimente a vida em toda sua bagunçada beleza.
Deixe sua marca neste mundo. Só ficando por aqui é que você pode causar um impacto nas outras pessoas, e não importa quão pequeno você possa sentir que esse impacto possa ser.
Você ficará bem. Acredite. Talvez não hoje ou mesmo amanhã, mas se você optar por ficar então será a primeira a testemunhar a incrível força, poder e bravura que você possui. Você, minha querida, é corajosa.
Fique.
Te vejo amanhã.”
 
Morrer, partir! Muitas vezes sentimos ser essa a escolha mais acertada. Pensamos que essa decisão significaria alívio e um final para uma história de vida que, quem sofre, nunca quis ter. É vital, especialmente quando os pensamentos depressivos se tornam agressivamente dominantes, que os lembretes permaneçam: para me lembrar de porque eu preciso ficar. Não importa o quão ridículo ou bobo possam parecer para alguém de fora. Os meus motivos para ficar podem parecer diferentes dos seus, e está tudo bem. Crie seus próprios motivos, mantenha-os próximos e acesse-os quando estiver equivocadamente acreditando que deixar esse mundo é mais atraente do que ficar. Como minha terapeuta me disse uma vez:
 
“O mundo levaria um grande golpe se você não estivesse aqui, porque você é inerentemente digna de viver.” O mundo precisa de nós, mesmo que ainda não possamos acreditar. Fique um pouco mais.
Siga sua jornada, aqui.
 
 
Se você ou alguém que você conhece está lutando com as questões abordadas neste texto, por favor, procure a ajuda profissional de um psicólogo ou psiquiatra e ligue para o número do CVV: 141.
 

Um em cada dez jovens acessou informações sobre suicídio na internet, diz pesquisa

jovens e suicídio internet
RIO — Uma das maiores preocupações dos pais é sobre os riscos aos quais os filhos estão expostos na internet, e a pesquisa TIC Kids Online, divulgada nesta quinta-feira pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), mostra que os perigos são relevantes. Um em cada dez adolescentes entre 11 e 17 anos já teve contato com conteúdo sobre formas de cometer suicídio, mesmo percentual para materiais sobre uso de drogas. 13% acessaram conteúdo sobre formas de machucar a si mesmo, e 20% viram receitas para ficarem muito magros.
 
Os dados são referentes ao ano passado e mostram avanço em relação a 2015. A próxima edição do estudo deve revelar um crescimento ainda maior, já que o início deste ano foi marcado pela polêmica do desafio da “baleia azul”, junto com a repercussão do seriado “13 reasons why”. Sobre o cyberbullying, 41% dos pesquisados disseram já ter visto alguém ser discriminado na rede, sendo a cor ou raça (24%), a aparência física (16%) e a homossexualidade (13%) os principais fatores.
 
Por outro lado, a pesquisa também mostra que a segurança on-line das crianças e adolescentes é uma preocupação dos pais. 69% deles responderam que os filhos utilizam a rede com segurança, percentual que se mantém praticamente estável nos últimos anos.
 
As mídias tradicionais como televisão, rádio, jornais ou revistas (54%), destacam-se como fontes de informações sobre o uso seguro da internet, segundo a declaração dos pais, seguidas por familiares e amigos (52%) e por meio da própria criança ou adolescente (51%). Já as menções à escola (35%) ou ao governo e autoridades locais (26%) são menores.
 
— Esse resultado revela a necessidade de difusão e ampliação do debate sobre oportunidades e riscos associados ao uso da Internet por iniciativa de políticas públicas — comentou Alexandre Barbosa, gerente do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), órgão que executou a pesquisa.
 
O contato com a publicidade é outra preocupação crescente: 69% dos jovens entre 11 e 17 anos disseram ter tido contato com propaganda em sites de vídeos, percentual que era de apenas 30% em 2013, e 62% tiveram contato com publicidade em redes sociais. No caminho inverso, 48% dos adolescentes buscaram informações sobre marcas ou produtos na internet.
 
— Se, por um lado, as crianças e adolescentes estão cada vez mais conectadas, elas estão também cada vez mais expostas a conteúdos mercadológicos na rede — avaliou Barbosa. — Esse é um desafio que precisa ser tratado por pais, educadores e formuladores de políticas públicas, especialmente se levarmos em consideração que o reconhecimento do caráter comercial da publicidade na internet é mais complexo para o público infantil.
 

Suicídio entre indígenas é uma das taxas mais elevadas do país

indio_Foto_Karina_Zambrana_-_suicídio
“Tive amigos que cometeram suicídio por não ter com quem conversar ou pelos pais acharem que aquela tristeza não era nada. Já tive de ligar para a mãe de uma amiga e explicar a gravidade da situação antes que algo ruim ocorresse. Então, é claro que pensei em cometer suicídio também, mas a força que recebi da minha família sempre me impediu de cair nesse poço sem fundo”, relata a jovem de 17 anos, L.A*.
O caso da estudante do ensino médio é mais comum do que, infelizmente, podemos supor. Um relatório inédito sobre suicídio no Brasil, divulgado pelo Ministério da Saúde, tem números que acendem o sinal de alerta: entre 2011 e 2016, foram registradas 62.804 mortes por suicídio.
A média nacional é de 5 suicídio para cada 100 mil habitantes. Mas um dado chama atenção – até pela falta de conhecimento sobre o assunto – é que na comparação entre raça e cor, o maior número de novos casos está ocorrendo entre a população indígena.
A taxa de mortalidade neste grupo é de 15 óbitos para cada 100 mil habitantes, número três vezes maior do que o registrado entre brancos e negros. E quando o foco está sob os jovens indígenas, esses números são mais expressivos, porque a faixa-etária de 10 aos 19 anos concentra 44% deste total.
 
ESTRATÉGIAS DE PREVENÇÃO
 
Então para tentar combater essa realidade, a Secretaria Especial de Saúde Indígena do Ministério da Saúde (SESAI) lançou a Agenda Estratégica de Prevenção ao Suicídio entre Povos Indígenas.
De acordo com o secretário da SESAI, Marco Antônio Toccolini, o objetivo é “fortalecer e ampliar a atuação das equipes de saúde nas aldeias, por meio de um conjunto de ações, uma política permanente de prevenção ao suicídio, em especial nos 16 Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI) apontados como prioritários por apresentarem maiores incidências”.
 
Estabelecer uma política permanente de prevenção ao suicídio nas populações indígenas é trabalho importante para identificar, avaliar e eliminar esses fatores de vulnerabilidade que possam provocar o suicídio entre indígenas. A expectativa de resultados para essa estratégia é uma redução gradativa no número de suicídios e de tentativas de suicídio nas comunidades.
 
A psicóloga Maria Cristina de Lima trabalha em uma das equipes de saúde que atuam diretamente nas aldeias, no interior da Amazônia, e afirma que a população indígena sofre com casos graves que levam ao suicídio.
 
“Nas aldeias existem as mesmas problemáticas das grandes cidades. A gente tem problemas com a questão do uso de álcool, drogas, problema de depressão, problemas de violência e a questão do suicídio. Existem muitas tentativas de suicídio. E uma das formas que temos para combater essa questão é o trabalho psicológico com os indígenas”, avaliou Cristina.
 
As estratégias da Agenda também preveem parcerias entre ministérios, para ampliar a forma de trabalhar uma melhor qualidade de vida como, por exemplo, através dos Ministérios da Cultura e do Esporte, para a realização de ações lúdicas e esportivas nas aldeias indígenas.
 
AVANÇOS
A primeira estratégia desse tipo adotada pelo Ministério da Saúde em relação à população indígena foi a implantação da vigilância epidemiológica nos DSEI, a partir de 2007. Nessa iniciativa foi realizada a coleta, organização e análise de dados que vão colaborar na compreensão do problema e na busca por estratégias de prevenção e intervenção.
 
Entre 2015 e 2016, a SESAI lançou o ‘Material Orientador para Prevenção do Suicídio em Povos Indígenas’, direcionado para profissionais de saúde que atuam nas aldeias. Na época também foram implantadas as ‘Linhas de Cuidado Locais para Prevenção do Suicídio na Atenção Básica à Saúde Indígena’, que realizou a capacitação de 240 profissionais que atuam na assistência de comunidades indígenas.
 
DSEI PRIORITÁRIOS: Araguaia, Mato Grosso do Sul, Vale do Javari, Alto Rio Solimões, Médio Rio Purus, Médio Rio Solimões e Afluentes, Tocantins, Alto Rio Purus, Yanomami, Litoral Sul, Leste de Roraima, Alto Rio Juruá, Maranhão, Alto Rio Negro, Minas Gerais e Espírito Santo.
 
*L.A. são iniciais as iniciais da jovem, que por ser menor de idade, preferiu não se expor.
 
Janary Damacena para o Blog da Saúde
 

‘Aprendi a seguir em frente’, diz jovem gay que sobreviveu a tentativas de suicídio

suicídio e preconceito
Aprendi que todo mundo tem problemas, que é preciso seguir em frente”. A frase é do estudante do curso técnico de cozinha de São Carlos (SP) Matheus Braga que, sem saber de que maneira resolver os problemas, enxergava apenas uma solução para tudo: a morte.
 
No mês de conscientização sobre a prevenção do suicídio, conhecido também como “Setembro Amarelo”, o G1 conversou com o jovem de 23 anos que teve depressão e tentou tirar a própria vida por duas vezes e sobreviveu.
 
Durante uma semana, o G1 registrou todos os casos de mortes violentas no país. Do total de 1.195 mortes, 89 foram suicídios.
 
Na região de cobertura da EPTV Central (afiliada Globo), que abrange 42 cidades, foram registradas 6 mortes, sendo que em três casos as vítimas tiraram a própria vida.
 
Quando vi que não deu certo, senti uma vergonha muito grande, não por não ter conseguido, mas sim pelas pessoas que estavam ao meu redor verem o quanto eu era fraco de não conseguir resolver meus problemas, de não conseguir bater de frente com a vida”, declarou o estudante.
 
De acordo com o médico psiquiatra Luis Alberto Marques Craveiro, a pessoa que pensa em cometer suicídio deve procurar assistência médica e psicológica para tratamento adequado. O Centro de Valorização à Vida também oferece orientação para prevenir casos. (Veja no final da reportagem as orientações).
 
‘Buraco sem volta’
 
Diagnosticado com depressão e assumindo a orientação sexual, o jovem relatou que não conseguia bater de frente com os problemas. “Não conseguia enfrentar a situação e, para mim, aquilo era a solução. Assumir a homossexualidade era uma pressão muito grande. Me via em um buraco e desespero tão grande que minha vontade de não resolver os problemas e de não viver mais era muito maior do que enfrentar”, contou.
 
Atualmente ele classifica os episódios como ‘buraco sem volta’. “Me arrependo muito, até hoje. Só que ter passado por isso foi um grande aprendizado, consegui ver que estava enfiando minha vida em buraco e que eu tinha outras formas de tentar resolver meus problemas, que não fosse desta forma”, declarou.
 
Tratamento
 
Após as duas tentativas de suicídio, o futuro cozinheiro permaneceu internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da Santa Casa de São Carlos e dentro do próprio hospital já iniciou o tratamento psiquiátrico e psicológico. “A forma como eles [profissionais] lidaram com a situação foi muito legal e espontânea. Isso resultou no que eu consigo ser hoje”, disse.
 
Braga fez acompanhamento com psicólogo durante 3 anos e passava por consultas uma vez por semana. O tratamento psiquiátrico foi feito ao mesmo tempo e contou com o uso de antidepressivos. Hoje, ele continua com acompanhamento de uma psiquiatra uma vez por mês, mas usa apenas um fitoterápico calmante.
 
Religião
 
Católico, Braga participava ativamente da igreja quando chegou ao limite da depressão. Hoje, o jovem afirma estar “menos ligado” por conta dos julgamentos que enfrentou. “Os cristãos acreditam que a questão do suicídio é pecado e que vai contra os ensinamentos de Deus, eu não discordo. Só que eu acho que é um pecado muito maior você apontar o dedo e julgar”, relatou.
 
“A pessoa que julga não faz a mínima ideia e não tem noção do que acontece com a pessoa que chega a esse extremo, não sabe o que a pessoa está passando e que ela não tem estrutura física e emocional para lidar com as situações. Ao invés de julgar, tem que tentar entender e auxiliar”, desabafou.
 
Superação
 
Segundo Braga, os primeiros dias após os incidentes foram piores que antes. O sentimento de culpa pesava e naquele momento percebeu o quão impactante tinha sido sua atitude. Com isso, ele tomou uma decisão para mudar essa realidade.
“A mãe de uma amiga vive falando que ‘mente vazia é a morada do demônio’, e realmente é. Os pensamentos negativos vão consumindo seu dia a dia. Depois daquilo, eu falei ‘agora é a hora’, vou voltar a estudar para ser cozinheiro e entrar no mercado de trabalho. Aprendi a seguir em frente”, contou.
 
Além disso, Braga revelou sua paixão por esportes radicais e disse que sempre que tem possibilidade procura praticar a modalidade. “Realizei um dos meus sonhos que era saltar de paraquedas”, declarou.
 
O rapaz acredita que aprendeu a viver com os pés no chão e que sabe dosar como as situações irão influenciar sua vida. Feliz, o futuro cozinheiro acrescenta que compreendeu uma dica valiosa.
 
“Todo mundo tem problemas, ninguém vive um conto de fadas, uma vida maravilhosa. O que muda é a forma como você lida no dia a dia com as situações, que às vezes podem ser maravilhosas e às vezes problemáticas”, afirmou.
 
Prevenção ao suicídio
 
O Brasil ocupa o sexto lugar no ranking de números absolutos de suicídio. No país, o índice de suicídio perde apenas para homicídios e acidentes de trânsito.
 
De acordo com o médico psiquiatra Luis Alberto Marques Craveiro, a pessoa que pensa em cometer suicídio deve procurar assistência médica e psicológica para tratamento adequado. “Deverá contar com suporte familiar e de amigos que, sem preconceito, ajudem neste momento difícil de esperança, desespero e desamparo”, declarou.
 
Craveiro ainda disse que quando a família e amigos observarem comportamentos suicidas em alguma pessoa devem compreender por tratar-se de uma emergência médica.
 
“A conduta deverá ser levá-lo a imediata avaliação médica de risco para suicídio, que será orientada pelo grau de risco e a doença psiquiátrica adequadamente tratada, podendo, em casos graves, ser necessária internação psiquiátrica com finalidade de proteção da vida”, esclareceu o psiquiatra.
 
CVV
 
Em março deste ano, o Ministério da Saúde anunciou uma parceria com o Centro de Valorização da Vida (CVV), órgão que realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntariamente as pessoas que querem e precisam conversar.
 
O objetivo da parceria é que as pessoas que sintam necessidade consigam chegar de forma menos burocrática a quem oferece ajuda. O centro oferece atendimento por telefone (141), chat, skype e e-mail. Outras informações podem ser obtidas no site do CVV.
 
*Sob supervisão de Fernando Bertolini, do G1 São Carlos e Araraquara.
 

Oito filmes que retratam o suicídio

filmes suicídio educação
A educadora e psicopedagoga Adriana Foz é taxativa em seu artigo É preciso falar com alunos e professores sobre o suicídio: “silenciar sobre o suicídio não ajuda a combater o problema. Informar, debater, ouvir e ser ouvido é o antídoto à ideia de que falar do assunto pode inspirar ondas de casos por imitação”.
 
 
Ela defende que, sobretudo as escolas, desenvolvam estratégias pedagógicas para abordar o tema de maneira contínua com os estudantes. E que as unidades sejam provedoras de informação de qualidade para a comunidade escolar, que construam conhecimento acerca da temática e busquem apoio junto a atores como familiares e equipamentos da assistência social.
 
Para apoiar na condução do debate, a especialista elencou para o Carta educação oito filmes que abordam o suicídio e podem servir de disparadores para a reflexão. Confira!
 
1. Um homem chamado Ove (2017)
 
Ove é um senhor amargurado, aposentado e viúvo. Aos 59 anos, alimenta a monótona rotina de visitar o túmulo de sua falecida esposa e descontar o mal-humor nas pessoas ao seu redor. Quando, enfim, decide interromper sua própria vida e vê seu plano dar errado, tem a chance de conseguir uma nova amizade.
 
2. Geração Prozac (2001)
 
Baseado no best-seller americano de Elizabeth Wurtzel, “Prozac Nation” retrata a vida de uma estudante de jornalismo ao ingressar em Harvard. A situação familiar frágil e as pressões das relações pessoais levam a jovem a desenvolver depressão e, com isso, pensamentos suicidas. As questões psicológicas levam a jovem a ser medicalizada com a droga Prozac.
 
3. Últimos dias (2005)
 
Em Last Days, filme inspirado nos últimos momentos de vida do cantor Kurt Cobain, o suicídio é trazido de maneira intimista. Cobain demonstra sentimentos de melancolia, vazio e procura de algo inatingível. No longa, a morte mostra-se como a única solução para tal agonia.
 
4. Garota Interrompida (1999)
 
A jovem Susanna Kaysen é encaminhada para um hospital psiquiátrico após ser diagnosticada como vítima de “Ordem Incerta de Personalidade” – uma aflição com sintomas tão ambíguos que qualquer garota adolescente pode ser enquadrada. No local, Susanna se depara com um mundo de garotas transtornadas com o aprisionamento.
 
5. Elena (2012)
 
Elena vai a Nova York para perseguir o sonho de se tornar atriz e deixa no Brasil uma infância vivida na clandestinidade, devido ao período da ditadura militar, e também a irmã mais nova, Petra, de sete anos. Duas década depois, Petra decide ir atrás da irmã. Ela segue as pistas que tem para encontrá-la, como cartas, diários e encontra em um lugar inesperado.
 
6. Gente como a gente (1980)
 
Conrad Jarrett tenta recuperar sua vida social após meses de internação em um hospital, fruto de uma tentativa de suicídio. No entanto a relação com os pais segue fria provocando conflitos ao longo do filme, que se centra na falta de comunicação familiar .
 
7. Uma razão para recomeçar (2017)
 
O amor de infância de Benjamin Morton por Ava é representado de maneira realista no filme, entre altos e baixos. Eles trafegam por tempos bons e ruins, até uma tragédia colocar em perigo o destino dos dois.
 
8. Uma vida com propósito (2016)
 
O filme narra a história da adolescente religiosa Rachel Jay Scott, que foi morta por dois adolescentes no colégio Columbine. O episódio, que vitimou um total de 13 pessoas, em 1999, e ficou conhecido como Massacre de Columbine, acendeu debates acerca do Bullying, das gangues do Ensino Médio e das leis de controle de armas.